Sobre perdas e danos

Estensi Tarot

Se você acredita que você pode danificar, então acredite que você pode consertar. Se você acredita que você pode ferir, então acredite que você pode curar.

- Rebbe Nachman de Breslov

Este ano, o calendário judaico tem Adar I e Adar II. A criação de um 13o mês é uma medida corretiva. As celebrações inerentes a Adar, por este motivo, são adiadas para Adar II. Hoje, dia 13 de Adar, deveria ser feito o jejum que antecede a celebração de Purim.

O certo seria escrever sobre Purim mês que vem, mas vamos em frente. Purim significa “sorte” e este nome foi dado porque o destino dos judeus foi decidido - mais especificamente, a data de sua aniquilação - na consulta aos astros e outras artes divinatórias. Não é um sorte de “boa sorte”, mas um sorte de “acaso”

Quando tudo parecia perdido, contudo, o jogo é virado através da determinação de Esther. Estamos no mês de Adar e ele é o que mais nos conecta com a espiritualidade. Mais que isso: é o mês que nos conecta com a espiritualidade através da alegria (fiquei de escrever sobre isso e esqueci). O episódio de Purim é emblemático com relação a isso, assim como forma que Purim é comemorado - quase que um “carnaval judaico”.

Teclava ontem com uma amiga e lhe dizia do sentido da palavra kadosh. Kadosh significa “santo” ou “sagrado” e se refere a estar no mundo sem fazer parte dele, ou seja, sem se deixar contaminar. O estado de kedushá (”santidade”) não se pede que você se isole numa caverna, mas que se coloque em meio das pessoas. Não significa não ter problemas, mas continuar firme apesar deles. A luz de uma vela é mais forte no escuro do que sob o Sol do meio-dia.

A exemplo de Esther, devemos encontrar o nosso eixo em meio ao caos, estabelecendo uma comunhão com D’us capaz de mobilizar as forças visíveis e invisíveis ao redor para gerar o milagre além da expectativa de qualquer um. Isto é válido para tanto para as questões individuais como as coletivas, como é o caso de Purim, onde milhares de vidas estavam em risco.

Escrevendo sobre isso, me lembrei de um texto que eu gosto muito e volta-e-meia repito nos blogs. Repito no Zephyrus também:

Nenhuma má intenção pode florescer diante do riso. O riso é o lubrificante que impede a negatividade de grudar. Nós anulamos o poder de qualquer intenção maliciosa quando não temos medo dela mas, ao contrário, nos ligamos à alegria, ao riso, e ao amor. Quanto mais hábeis nos tornamos em soltar a negatividade, mais fortes seremos espiritual, emocional, mental e fisicamente.

- Jamie Sams

Dos votos de aniversário, um, em especial, me deixou sensibilizado. Foi de uma menina que vi nascer e redescobri mulher feita há poucos meses. Ela me desejou um ano de muitos sorrisos e eu achei isso bárbaro, pois se você consegue sorrir, que tipo de problema pode te perturbar?

E nem precisa ser um sorriso espontâneo, basta ser sincero, enchendo o coração de amor. Acabei de me lembrar da Meditação do Sorriso Interno, desenvolvida pelo Mestre Mantak Chia, onde a gente sorri para cada um dos 5 órgãos principais da Medicina Chinesa - se bem que se pode sorrir para qualquer outra coisa, basta imaginar o órgão ou situação e sorrir para ela. Quando a gente sorri, por exemplo, o cérebro comanda o timo para que ele fortaleça o sistema imunológico, aumentando nossa vitalidade.

Na China antiga, os taoístas ensinavam que um constante sorriso interior, um sorriso para si mesmo, assegurava saúde, felicidade e longevidade. Por quê? Sorrir para si mesmo é como aquecer-se no amor: você se torna o melhor amigo de si mesmo. Viver com um sorriso interno é viver em harmonia consigo mesmo.

- Mantak Chia

Pronto, era para ser uma notinha apenas e o post está “virando um monstro”. Preciso sair agora. Que você tenha um dia de muitos sorrisos. Lembre-se que D’us é alegria.

PS: caso mais alguém pergunte, a ilustração é o 5 de Copas do Golden Estensi Tarot.

One Response to “Sobre perdas e danos”

  1. Cara, eu também gosto muito das frases do Nachman de Berslov…ele é uma grande fonte de inspiração.

    Abraço!

Leave a Reply