• Dedicação


    Possa o bodhicitta,
    precioso e sublime,
    Surgir onde
    ainda não está.
    E onde surgir,
    que não decline,
    mas cresça e floresça
    cada vez mais.

    ~ Nagarjuna

Shubh Diwali!

A Índia possui muitos calendários regionais, com destaque para dois: o Vikram, adotado ao norte, oeste e Nepal, e o Shalivahana (ou Saka), adotado no sul e Maharashtra.

O dia começa com a aurora em todos eles, mas, dependendo do calendário, o mês pode começar na Lua Nova ou na Lua Cheia. O primeiro dia do ano também varia. E embora o Governo tenha criado, em 1957, um calendário para  fins administrativos, as celebrações religiosas continuam seguindo os costumes locais.

Estou escrevendo isso porque ano passado falei para algumas pessoas que o Diwali marcava o ano novo hindu e uma conhecida, que retornava da Índia apaixonada por uma fruta local, ficou muito sem graça quando ligou para desejar “feliz ano novo!” e este se fez de desentendido. A criatura poderia ter explicado que para ele o ano começa em março, mas não o fez. Ela, por sua vez, veio me corrigir alegando que eu não poderia saber mais do assunto do que o carinha… mas sabia.  ;)

Então, para ser exato, o Diwali ocorre no último dia do ano dentro do calendário Vikram – exatamente hoje, neste ano.

Independente de ser início de um novo ano ou não, Diwali representa a vitória da Luz sobre a Escuridão. Rama derrota Ravana, o demônio que conseguiu de Brahma invensibilidade em qualquer combate travado com deuses ou seres espirituais. Por isso Vishnu vem ao mundo numa forma humana para combatê-lo.

A vida se renova e nos preparamos para isso usando roupas novas, deixando a casa arrumada e decorada com flores, além de, obviamente, acendermos muitas lamparinas – Diwali significa “carreira de luzes” – como um sinal de gratidão por tudo o que recebemos no último ciclo. Há muita festa, comida, queima de fogos e presentes.

Este é um dia que reverenciamos Rama como um grande guerreiro do dharma e Sita como uma expressão da deusa Lakshmi, a face da Mãe Divina que nos concede saúde e prosperidade, tanto material como espiritual.

Os supersticiosos talvez acendam suas lamparinas e fiquem esperando que um milagre ocorra. Os mais conscientes, contudo, se voltarão para dentro para iluminar os aspectos que ainda permanecem na sombra e “limpar a alma” de toda desordem gerada por pensamentos e sentimentos confusos, transformando seus corações em altares para Vishnu e Lakshmi.

Que a Luz se faça presente em cada ser e ilumine o mundo!

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